Como a arquitetura, a yoga e a meditação caminham juntas na minha vida pois a prática de cada uma delas ajuda e fortalece a construção e o crescimento das demais, hoje vou falar sobre espaços físicos que têm um poder especial, através de determinadas características, de nos levar para o sagrado que existe dentro de nós mesmos.  Quando me refiro ao sagrado, estou me referindo àquele espaço de conforto interno, um espaço de silêncio onde, quando fechamos os olhos, por algum motivo, nos sentimos plenos, satisfeitos e alegres – aquele espaço onde basta SER.  

Este estado de contentamento interno, muitas vezes, é acessado quando estamos na presença de alguma atmosfera externa, seja num espaço da natureza ou em algum outro construído, que, talvez pela harmonia das formas, pela textura dos materiais, pelo diálogo entre o edifício e o seu entorno ou simplesmente pela beleza e poesia que determinados espaços transmitem, consegue nos transportar para além de nós mesmos. Não me refiro necessariamente a espaços suntuosos, pois na maioria das vezes, o simples consegue nos transportar para o mais profundo dentro de nós, como por exemplo as ocas indígenas que são arquiteturas extremamente puras e simples. Na maioria das vezes seu piso é a própria terra batida, os pilares são feitos de madeira das árvores do entorno e o telhado em sapê, feito com palha das palmeiras locais. Esta simples construção nos remete a uma reflexão interna de resgate da nossa essência. Por que vivemos num mundo com arquiteturas tão complexas, tão cheias de ornamentos e necessidades, quando uma simples "oca” pode nos oferecer toda a alegria que buscamos?

 

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Conjunto de casas Ashaninkas