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Entrevista para o documentário Arquitetura teatral contemporânea no Estado do Rio de Janeiro, com a arquiteta Evelyn Furquim Werneck Lima - direção geral e coordenação de pesquisa.

O Teatro Tom Jobim faz parte do Centro de Cultura e Meio Ambiente Antonio Carlos Jobim que foi implantado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com o objetivo de ser um pólo gerador de atividades culturais identificados com a questão ambiental. 
Antes
Fui convidada para participar do projeto de arquitetura do teatro, em 2005, pela Associação de Cultura e Meio Ambiente – ACMA, formada pelo músico e arquiteto Paulo Jobim, a figurinista Biza 


Vianna e a paisagista Cecilia Beatriz, entre outros. E lembro-me bem de minha perplexidade ao me deparar com o espaço destinado a receber o futuro teatro.Tratava-se de um galpão secular, abandonado e que parecia servir apenas como depósito de quinquilharias, ao fundo do qual havia uma área ao ar livre onde caminhões de serviço do parque eram estacionados. Como uma edificação de arquitetura histórica, localizada no coração do mais importante parque de Botânica do Rio de Janeiro, encontrava-se em tal estado de abandono? 

Eu tinha acabado de finalizar o projeto do Espaço Nirvana, dentro do Jockey Clube, em frente ao Jardim Botânico, onde o programa solicitado tinha essa mesma característica da transformação de uso de um edifício já existente e com valor histórico.  E tal como no projeto anterior, sendo o galpão do Parque Jardim Botânico um bem tombado, o projeto teria que seguir diversas normas para ser aprovado não apenas pela Prefeitura, mas também pelo Iphan. No caso do Centro Tom Jobim, a construção de um teatro pedia um pé direito generoso, o qual, entretanto, pelas regras de intervenção num bem histórico, “não poderia ser avistado para não destoar” no meio do parque, este também um bem preservado. Como esconder um volume com 10 metros de altura? Após muito estudo e análise de possibilidades, a solução técnica foi tirar partido do desnível do terreno situado atrás da construção existente. Era um espaço perfeito para tal. 

Esse projeto de arquitetura foi desenvolvido em parceria com a arquiteta Mariana Caillaux que muito contribuiu com sua participação.

O programa

O Centro Tom Jobim deveria ser um espaço para múltiplo uso, capaz de abrigar eventos de diversas naturezas: peças teatrais, shows, exposições, palestras etc. Assim, praticamente toda a área da sala do teatro, que compreende um pouco mais de 350m2, além do foyer, foi criada para ser o espaço cênico, o qual permite layouts diversos tais como o palco tradicional (italiano), o palco tipo arena grega, o palco elisabetano, que se expande para dentro da platéia, o palco tipo cortejo, utilizado para desfiles de moda, ou até como uma área totalmente livre.

A entrada principal está voltada para uma praça seca que também pode ser utilizada como continuação do espaço do Centro Tom Jobim. Alguns eventos já usam essa praça para fazer a abertura de apresentações diversas. 

A construção antiga original se transformou no foyer que compreende uma área bem generosa e acolhedora.

A escolha dos materiais de acabamento foi pensada junto com o projeto de acústica: o piso e o teto em madeira e as paredes com material de absorção. 

Foi tirado partido também da luz do dia. Escolhemos desenhar janelas altas, as quais, no dia a dia, facilitam a circulação do ar e permitem a manutenção de um espaço mais saudável. Além disso, a possibilidade de se abrir janelas numa edificação situada dentro de um parque botânico é maravilhosa, é a sua verdadeira integração com o meio ambiente. 

Como diz o cineasta Walter Lima Júnior, “ter o jardim Botânico e uma programação cultural dentro dessa área verde, numa cidade que é tão mal cuidada como o Rio de Janeiro, é um presente que devemos agradecer